Explicamos agora os restantes princípios ofensivos e de que forma a sua (não) aplicação estão a condicionar o jogo de organização ofensiva do Benfica.

Espaço

O princípio do espaço opõe-se ao princípio defensivo da concentração. A defesa deve manter-se o mais concentrada (compacta) possível, para fechar os espaços importantes para o ataque e conseguir ter mais jogadores perto da bola (colocando maior pressão). O ataque deve por isso procurar explorar ao máximo a largura e a profundidade do campo de forma a tornar a tarefa da defesa mais difícil. Com mais espaço, há mais tempo e a probabilidade de sucesso aumenta.

Com os extremos do Benfica a jogarem por dentro, cabe aos laterais darem a largura necessária à equipa, o que se torna complicado quando não se tem “super atletas” do ponto de vista físico como laterais (pois isto obriga a constantes subidas e descidas no terreno). Aqui a solução passaria por inverter, e passarem os extremos a estarem mais vezes por fora e os laterais a romperem por dentro. Com a profundidade que Seferovic consegue trazer à equipa, esta poderia ser uma opção muito interessante pois obrigaria as defesas adversárias a jogarem mais abertas e a surgir mais espaço no meio.

Cobertura Ofensiva

A cobertura ofensiva diz-nos que devemos sempre garantir linhas de passe em apoio (atrás e ao meio geralmente) ao portador da bola. Isto evita algumas perdas de bola (pois o jogador tem um porto seguro onde colocar a bola) e traz uma melhor reação à perda (pois o apoio pode saltar logo à bola). Nem o jogador com  bola tem utilizado o apoio (apesar dele estar lá), nem o apoio tem saído logo na pressão ou fazendo falta. Isto transforma as transições defensivas do Benfica no seu maior pesadelo, surgindo várias vezes situações de 3 ou 4 adversários perante a última linha do Benfica. Uma solução imediata é recorrer à falta. Trava imediatamente qualquer hipótese de contra-ataque e permite ao Benfica jogar mais vezes na fase que se sente mais confortável: a organização defensiva.

Mobilidade

O princípio da mobilidade está intimamente ligado à velocidade e defende que quem tem bola deve tentar criar instabilidade e desequilíbrios de forma que haja sempre jogadores livres de marcação para receberem a bola. Os jogadores do Benfica até tentam pôr este princípio em prática, mas aqui é onde a incapacidade técnica de alguns e a falta de confiança de todos mais se faz sentir. Um jogador (capaz) que esteja confiante geralmente necessita de um ou dois toques na bola para dar seguimento à jogada; os do Benfica atualmente necessitam de muitos mais, tornando o jogo mais lento, originando menor mobilidade (quem não tem bola corre sempre menos do que quem está “ativo” na jogada) e tornando a tarefa das defesas mais fácil.

Conclusão

Reparem se nos jogos que o Benfica fez melhores exibições (ou daqui para a frente):

  • os centrais sabem construir e penetrar;
  • a equipa está mais aberta em campo e os laterais mais projetados;
  • não sofremos transições ofensivas em igualdade ou inferioridade numérica;
  • os jogadores tocam menos na bola e esta anda mais rápido criando mais desequilíbrios.

Quando conseguimos isto, atacamos muito melhor e o número de oportunidades criadas sobe em flecha. A confiança ajuda (em muito) a que isto aconteça… quem não tem medo, arrisca e cria mais desequilíbrios. Ou como dizia um treinador que tive, “Quem tem medo, compra um cão; como não pode jogar com o cão, não joga.”

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