Sentiu o Benfica mais dificuldades do que o esperado frente ao recém chegado à 1ª Liga Portimonense.

Muito por mérito da organização defensiva e transição ofensiva dos algarvios, mas principalmente por demérito dos jogadores do Benfica, naquilo que já temos a vindo a realçar por aqui, onde os seus elementos que iniciam a construção não têm com bola a qualidade exigida para uma equipa que se deseja pentacampeã.

Muitas bolas perdidas na 1ª fase de construção, onde se juntou a incapacidade de travar de imediato a transição ofensiva do adversário causaram muitos calafrios à defesa do Benfica. O árbitro com um critério largo, a deixar jogar, fez com que muitas perdas de bola do Benfica onde geralmente é assinalada falta, resultassem em jogadas de perigo para o Portimonense pois apanhava a equipa do Benfica descompensada (por exemplo, o golo do Portimonense surge após falta não assinalada sobre André Almeida).

Ao facto do Portimonense defender em 4x1x4x1 reagiu o Benfica ao começar a construir com apenas dois jogadores (os centrais) ao invés do habitual trio com a descida de um dos médios. O princípio está correto e perante um avançado, bastam dois jogadores para garantir a superioridade numérica; o problema foi que entrelinhas surgia o médio defensivo do Portimonense que impedia o Benfica de receber a bola em condições nessa zona e a qualidade com bola dos dois centrais do Benfica deixa muito a desejar, fazendo com que a equipa perdesse várias bolas quando surgia a tentativa de fazer um passe vertical. Muitíssimo bem Rui Vitória a ler este aspeto e a fazer entrar Filipe Augusto; não resultou melhor pois Samaris fez um dos piores jogos com o manto sagrado, acusando sobremaneira a falta de ritmo derivado do castigo que incorreu. Esperemos que Rui Vitória tenha percebido (finalmente!) esta lacuna na equipa e acabe por lançar Rúben Dias já no confronto frente ao CSKA (não acreditamos minimamente que tal aconteça).

O 1º golo do Benfica surge de um lance onde Pizzi tem meio segundo sozinho que lhe permite colocar a bola nas costas da defesa para a diagonal tão característica de Sálvio e onde este ganha a frente do defesa obrigando-o a cometer falta. Engraçado o facto dos analistas de alguns jornais entenderem que não era penalty e o jogador que cometeu a falta assumir que cometeu a falta e lamentar-se apenas por achar que não seria lance para expulsão mas apenas para amarelo.

Aos 78 minutos surge a obra de arte chouriçal de André Almeida que coloca o Benfica em vantagem. O lateral diz que rematou de propósito (e nós acreditamos na sua palavra obviamente) mas não podemos deixar de concordar que foi um remate que teve a sorte “suficiente” para ser perfeito; e para ser golo dali, tinha que ser perfeito.

A ganhar 2-1 contra 10 jogadores, o Benfica fez aquilo que não podia fazer; encostou-se atrás e deu a entender ao Portimonense a intranquilidade que vivia naquele momento. Aproveitaram os algarvios para criar muito perigo e causar na Luz a 1ª sensação de êxtase graças ao VAR. Aos 88′ o Portimonense marca e aos 90′ o VAR invalida. Explosão de alegria na Luz, e eu que até então tenho vivido os golos do Benfica de forma contida com medo de um volte-face, pude experienciar a alegria de ser feita justiça, ao contrário do que aconteceu tantas vezes o ano passado.

As mesmas dificuldades de sempre, e já identificadas desde a pré-época, a juntar a uma noite de menor inspiração dos seus artistas da frente tornaram este num jogo muito mais difícil do que o esperado. Queremos acreditar que esta foi uma noite atípica e que com o regresso de alguns lesionados não se tornará a repetir (pelo menos frequentemente). Amanhã deverá ser já dada a resposta, até porque, acreditamos que Júlio César e Grimaldo regressem ao 11, incrementando em muito a qualidade com bola da linha defensiva.

É sempre bom quando os jogos correm menos bem e os podemos tomar como aviso com a salvaguarda de termos conquistado 3 pontos. Não façam é muitas dessas…

 

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